O ex-vice-presidente do Federal Reserve, Roger Ferguson, afirmou que a expectativa de alta de juros permanece para este ano, mesmo com a taxa de política mantida em 3,75%. A análise se baseia em dados de inflação e no novo método de construção de consenso adotado pelo presidente Kevin Warsh.
Ferguson comentou, em entrevista a veículos de comunicação, que a reunião de estreia de Kevin Warsh sinaliza que um aumento de juros ainda é possível. O Fed manteve a taxa estável desde 11 de dezembro de 2025. Segundo Ferguson, os dados econômicos justificam a manutenção dessa expectativa. O índice PCE central, preferido pelo Fed, atingiu 129,63 em abril, representando o ponto mais alto do ano e estando no percentil 90,9 do intervalo de 12 meses.
O novo presidente está adotando uma abordagem procedural, criando grupos de trabalho para construir consenso, em vez de emitir diretrizes explícitas. Ferguson explicou que essa mudança é um afastamento do modelo de comunicação anterior. A declaração do Fed removeu a frase que continha orientação futura implícita, o que ele considerou esperado, dado o ceticismo de Warsh sobre esse tipo de comunicação.
Além disso, Ferguson questionou a utilidade dos gráficos de projeção de taxas, ou ‘dot plots’, argumentando que essas ferramentas serviram à era de taxas zero. Para os investidores, a menor orientação explícita torna a precificação das políticas mais complexa. O mercado de títulos já reagiu, com a diferença entre o rendimento do título de 10 anos e o de 2 anos comprimindo-se para 0,29% em 17 de junho.

