Mulheres têm chegado cada vez mais a consultórios de sexologia com a queixa de perda de desejo sexual, mesmo mantendo o amor pelo parceiro. A sexóloga Antonela Ance, formada na Espanha e na Argentina, afirma que o problema raramente é hormonal, mas sim resultado da ansiedade e da sobrecarga mental da vida moderna. Segundo ela, o erotismo só floresce quando se está presente, e não enquanto se revisa mentalmente a lista de tarefas.
Em relato à imprensa, Ance explica que o cérebro, ao perceber ameaça ou sobrecarga, prioriza a sobrevivência sobre o prazer. O estresse contínuo ativa um estado de alerta que coloca o erotismo entre as últimas prioridades. ‘Muitas mulheres acreditam que existe algo errado com elas, quando, na realidade, frequentemente não se trata de uma falha do desejo, mas de um corpo exausto pedindo uma pausa’, disse.
A sexóloga cita o caso de uma paciente que não sentia desejo há meses e suspeitava de problema hormonal. Durante as sessões, surgiram fatores como privação de sono, excesso de trabalho e responsabilidades familiares. Ao ser perguntada quando fizera algo apenas para si, a paciente não conseguiu lembrar. ‘Recuperar o desejo não significa procurar algo fora de nós, mas voltar a nos encontrar’, afirma Ance.
Para a especialista, o erotismo começa muito antes do quarto: na percepção do próprio corpo, no descanso sem culpa, na capacidade de brincar e se distrair. ‘Talvez a pergunta mais importante não seja mais “o que há de errado comigo para eu não ter vontade?”, mas “como estou vivendo o meu presente?”’, conclui. O desejo, segundo ela, pode não ter desaparecido, apenas esperado espaço para voltar.


