O dramaturgo Felipe Hirsch celebra 40 anos de carreira e inaugura uma nova fase com o espetáculo ‘Orkhéstra Phántasma’, estreado no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. A obra, que utiliza um programa de rádio como fio condutor, aborda temas sensoriais e questiona a relação do indivíduo com o ruído mental.
Hirsch, conhecido por seu teatro radical, afirmou que o novo espetáculo é mais sensorial e provocativo, pois o público busca no teatro ouvir sua própria opinião, o que ele considera uma destruição. O trabalho, que conta com parceiros como Georgette Fadel e Pascoal da Conceição, explora a dificuldade de diferenciar o eu do ruído incessante na cabeça dos personagens.
Em comentários sobre a sociedade contemporânea, o dramaturgo disse que as grandes empresas de tecnologia atuam como uma ‘polícia dos sonhos’, reeducando os sentidos das pessoas. Ele também comentou sobre a solidão gerada pelo capitalismo, afirmando que as empresas lucram com esse sentimento.
Em relação à sua trajetória, Hirsch relembrou ter escrito sua primeira peça aos 14 anos, após assistir a uma adaptação de ‘Feliz ano velho’, livro de Marcelo Rubens Paiva. Ele declarou que faz o que acredita, e para ele, isso é inacreditável, mantendo a coerência em sua produção artística.

