A redução dos recursos da poupança destinados ao financiamento imobiliário obriga incorporadoras a buscar capital no mercado de capitais. Empresas do setor utilizam cada vez mais Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Fundos Imobiliários (FIIs) para suprir a demanda, segundo especialistas.
O movimento é consolidado, aponta Fernando Gadelho, diretor da HSI. Ele afirma que a procura por financiamento via mercado de capitais cresceu expressivamente desde o ano passado, especialmente entre incorporadoras de médio porte que perderam acesso às linhas tradicionais dos grandes bancos. Gadelho declarou que “a maior parte das incorporadoras de médio porte hoje está com as portas praticamente fechadas no sistema de poupança e acaba recorrendo ao mercado de capitais. É um movimento que veio para ficar”.
Guilherme Manupella, sócio da RBR Asset, avalia que a transformação é estrutural, pois os bancos priorizam o crédito ao comprador final. Isso fez com que fundos de crédito imobiliário se tornassem destino principal das novas emissões. Manupella explica que as operações evoluíram: o desembolso passou a ocorrer em tranches, acompanhando o avanço físico da obra, o que torna o produto mais eficiente.
O mercado, contudo, exige maior rigor. Adriano Mantesso, head de Real Estate da Tivio Capital, disse que o setor se tornou mais disciplinado, privilegiando operações com maior transparência e garantias adequadas. Na HSI, por exemplo, a prioridade é financiar projetos já iniciados, com avanço físico relevante e boa velocidade de vendas, eliminando o risco comercial.

