O longa chinês independente “Dear You” arrecadou US$ 265,1 milhões, totalizando R$ 1,3 bilhão, desde seu lançamento em 30 de abril. O filme, que teve orçamento de US$ 2,1 milhões, foi produzido em teochew, língua falada por cerca de 15 milhões de pessoas, e teve toda a bilheteria registrada em cinemas chineses.
O sucesso do filme se deve, em parte, ao fato de ter sido gravado em teochew, e não em mandarim. A língua é falada majoritariamente pela etnia Hakka, no sul da China e em países do sudeste asiático. A imprensa chinesa relatou que a obra ressoou com a audiência devido ao crescente interesse dos jovens chineses por aspectos culturais regionais no cinema e em outras mídias.
Esse apelo regional confronta a política do governo central chinês, que busca popularizar o mandarim. Em março deste ano, o Congresso chinês aprovou a Lei de Promoção Nacional à Unidade Étnica e o Progresso, que exige o mandarim como idioma básico na educação e na administração pública. O governo afirma valorizar os 81 idiomas do país, mas a massificação do mandarim reduziu o espaço de línguas como o cantonês e o mongol.
A tensão se repete em Cingapura, onde o filme foi lançado dublado em mandarim, apesar de 20% da população ter herança teochew. A decisão executiva gerou insatisfação entre o público que desejava ver o filme no idioma original. O filme narra a busca de um neto por seu avô, imigrante de Chaoshan, e retrata a tradição de cartas enviadas por imigrantes chineses do século 20.

