A possível adoção do fim da escala 6×1 no Brasil gera preocupação no agronegócio, pois alterações na dinâmica de trabalho podem ampliar custos e afetar a colheita e o transporte de produtos. Segundo a diretora da Sociedade Rural Brasileira (SRB), o cenário rural não é considerado nas propostas em tramitação no Congresso Nacional.
A diretora da SRB, Patrícia Arantes, declarou que o cenário do trabalho rural não é levado em conta nas propostas legislativas. Ela mencionou que a PEC 221 e o projeto de lei governamental não contêm regras específicas para o trabalho rural nem para o abastecimento alimentar, desconsiderando a Lei 5.889, de 1973, que trata da safra.
Levantamentos do Ministério do Trabalho e da Frente Parlamentar Agropecuária indicaram que a implementação da medida elevaria os custos de contratação do setor agropecuário em cerca de 7,8% a 8,6%. Arantes alertou que a dificuldade na colheita e logística resultaria em menor oferta e preços mais altos nos supermercados.
Os impactos seriam desiguais no setor. Produtores de menor porte, que já enfrentam crédito restrito, seriam os mais vulneráveis. Enquanto grandes operações absorvem custos, pequenos produtores poderiam ser forçados a dispensar funcionários, o que pode concentrar o mercado.
A representante da SRB apontou que fatores como o êxodo rural e a falta de qualificação dificultam a contratação. Ela citou modelos internacionais, como os Estados Unidos e a Austrália, que utilizam negociação direta, defendendo que a liberdade de negociação é essencial para a atração de talentos no setor.

