As fogueiras das festas juninas carregam significados históricos e religiosos, segundo a tradição popular. Cada santo homenageado no mês de junho recebe um formato específico de fogueira: quadrado, redondo ou triangular. O historiador Diogo Comitre, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), explicou a simbologia por trás de cada desenho.
A tradição divide os tipos de fogueiras entre Santo Antônio, São João e São Pedro. A fogueira de Santo Antônio adota o formato quadrado, que representa estabilidade e união familiar, alinhado à fama do santo como “casamenteiro”. Já a fogueira de São João utiliza uma base redonda, símbolo da comunidade reunida em torno da fé e dos ciclos naturais.
O formato triangular é reservado a São Pedro, homenageando a Santíssima Trindade, pilar da doutrina cristã. No Brasil, essa prática se sincretizou com crenças indígenas e africanas, como a ligação entre São João e o orixá Xangô, ligado ao fogo.
O costume de acender fogueiras é anterior ao cristianismo, originando-se em rituais pagãos europeus para agradecer colheitas. A Igreja Católica incorporou essas práticas, trocando a homenagem aos deuses da natureza pela celebração de santos populares. O historiador Comitre afirmou que não há regras litúrgicas sobre o formato, sendo uma prática livre e popular.

