A frota elétrica de São Paulo atingiu 1,7 mil ônibus em operação no dia 21 de junho. A prefeitura recebeu mais 500 veículos eletrificados, consolidando a capital paulista como líder nacional em eletrificação do transporte público, segundo o Conselho Internacional do Transporte Limpo (ICCT).
O avanço da frota coloca o Brasil atrás apenas de Chile e Colômbia no ranking latino-americano de transporte limpo. A meta municipal é alcançar 2,2 mil ônibus eletrificados até 2028, um número revisado em relação ao objetivo inicial de 2,6 mil veículos traçado em 2024. Até 2025, a frota nacional somava 1,7 mil veículos, sendo São Paulo responsável por mais de 80% desse total, afirmou Jefferson Hishiyama da Silva, pesquisador do ICCT.
O custeio da renovação envolveu múltiplas fontes de crédito. A administração municipal fechou uma linha de US$ 100 milhões com o Banco da China, além de R$ 1,4 bilhão junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e R$ 2,5 bilhões do BNDES. O crescimento, segundo Silva, se apoia em financiamento garantido e incentivos fiscais, fatores que diferenciam a capital de outras cidades brasileiras que investem em eletrificação.
Inicialmente, a falta de capacidade elétrica nas garagens dos operadores foi um entrave. Jorge Carrer, diretor de vendas de ônibus da Volkswagen Caminhões e Ônibus, explicou que as instalações não possuíam infraestrutura para os carregadores. Após ajustes no programa, os concessionários passaram a comprovar tecnicamente a capacidade de operar frotas eletrificadas antes de receber novos veículos.
O estudo do ICCT projeta três trajetórias para ônibus elétricos no Brasil até 2050. No cenário moderado, a eletrificação alcançaria 92% das vendas em 2050. No segmento de caminhões, o ritmo é mais lento; em 2025, foram vendidas 366 unidades elétricas leves e médias, representando 1,7% do mercado, segundo o levantamento.

