Um estudo revelou que o fungo causador da esporotricose, tipicamente transmitido por arranhões de gatos domésticos, foi encontrado nos órgãos internos de animais selvagens no Paraná. A pesquisa, apoiada pela Fapesp, identificou três espécies do gênero Sporothrix, sugerindo que a fauna silvestre pode ser reservatório do patógeno.
As análises detectaram as espécies S. globosa e S. schenckii, além de Sporothrix brasiliensis, uma espécie endêmica do Brasil. Os resultados indicam que os animais silvestres podem carregar o fungo, que causa lesões graves em animais domésticos e pode afetar humanos, atingindo a pele e o sistema linfático. Segundo Anderson Messias Rodrigues, coordenador do estudo na EPM-Unifesp, “é evidente que estão circulando mais do que imaginávamos, com potencial risco para a saúde humana e animal”.
A coleta de amostras ocorreu em rodovias do Paraná entre 2017 e 2023, abrangendo cerca de 530 quilômetros da BR-376 e 150 quilômetros da PR-445. Foram examinadas 81 animais, incluindo mamíferos, aves e répteis. O DNA fúngico foi detectado em 11 animais, sendo o coração e o fígado os tecidos mais afetados. Steffanie Skau Amadei, primeira autora do trabalho, explicou que a detecção do material genético nos tecidos internos indica circulação do fungo no organismo.
Rodrigues afirmou que o estudo mostra a emergência do Sporothrix em novos hospedeiros, indicando que a pressão humana sobre o ambiente está alterando as fronteiras entre áreas rurais, urbanas e silvestres. A pesquisa também sugere que a análise de carcaças de animais atropelados pode ser uma ferramenta barata de vigilância em saúde, alinhada ao princípio de Saúde Única.

