O governo federal brasileiro avalia que a preocupação do presidente americano, Donald Trump, com o Pix ultrapassa a defesa de empresas de meios de pagamento dos EUA. Fontes governamentais indicam que o temor da Casa Branca reside no potencial do sistema brasileiro facilitar transações comerciais internacionais sem depender do dólar.
A análise aponta que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro pode ser usado para “excluir” o dólar em negociações entre países parceiros. Atualmente, transações entre nações como Brasil e Argentina exigem conversão para a moeda americana antes de serem convertidas para a moeda local do destino. O governo brasileiro identifica um segundo temor: o Pix se tornar alternativa ao sistema SWIFT, controlado pelos Estados Unidos.
A consolidação do Pix como alternativa ao SWIFT reduziria o poder de pressão geopolítica dos EUA sobre o sistema de pagamentos mundial. A característica de instantaneidade do Pix torna o sistema atraente para transferências imediatas entre países, aumentando a eficiência comercial. Integrantes do governo federal devem se reunir virtualmente com representantes dos EUA esta semana para tratar de novas ameaças tarifárias.
O foco da reunião é a tarifa de 25% proposta pelo USTR, baseada na Seção 301, que aponta o Brasil como praticante de comércio desleal, citando o Pix. O governo brasileiro considera margem para negociação bilateral sobre essa medida, embora veja menor otimismo em relação à tarifa de 12,5% que afeta outros países.

