O Supremo Tribunal Federal e o governo avaliam que os Estados Unidos devem rejeitar um pedido de extradição do ex-deputado. A recusa geraria desgaste político e fortaleceria a tese de falta de imparcialidade da Justiça brasileira. O ex-parlamentar foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo.
O ex-deputado, que reside nos EUA desde fevereiro de 2025, apelou ao presidente norte-americano, Donald Trump, em vídeo nas redes sociais, pedindo ações contra abusos do Judiciário brasileiro. O rito de extradição americano exige aprovação de dois níveis. Um tribunal federal analisa a legalidade do pedido, mas o tratado bilateral de 1965 veda a entrega de alvos acusados de crimes políticos.
Caso o processo avance, a decisão final caberá ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Rubio mantém proximidade com a família e criticou Alexandre de Moraes no passado, classificando a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro como “caça às bruxas”. Diante disso, membros do governo e do STF discutem desacelerar a tramitação no Ministério da Justiça para adiar um revés oficial.
O temor das autoridades brasileiras segue precedentes internacionais. Em junho, a Justiça da Itália negou a extradição de uma ex-deputada, citando violação do direito de defesa e a dupla função de Alexandre de Moraes. Os EUA já barraram outro pedido do STF em 2024, considerando acusações como crimes de opinião protegidos pela liberdade de expressão.

