O governo Lula decidiu manter a urgência constitucional do projeto de lei que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais. A decisão ocorre mesmo após o presidente da Câmara solicitar a revisão do regime. A urgência obriga as Casas legislativas a analisar o texto em até 45 dias, sob risco de trancar a pauta.
A manutenção da urgência constitucional, que impõe prazo de 45 dias para análise, trava a pauta da Câmara dos Deputados desde 30 de maio. Com isso, apenas projetos de decreto legislativo, requerimentos e Propostas de Emenda à Constituição (PECs) podem ser votados. O presidente da Câmara, Hugo Motta, reuniu-se com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, para pedir a retirada da urgência, mas recebeu resposta de que a medida ainda estava em avaliação.
Auxiliares do Palácio do Planalto informaram que o governo busca manter a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que este envie à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a PEC aprovada pela Câmara. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utiliza o tema como bandeira para sua campanha à reeleição. O presidente do Senado, Alcolumbre, citou o trancamento da pauta, afirmando que, sem a deliberação da Câmara, a votação de alterações no Senado não teria efeito.
Motta comentou que, se a urgência fosse retirada, seria possível pautar o projeto de lei complementar que trata da questão dos combustíveis. O governo também monitora a votação no Senado do projeto de renegociação de dívidas rurais, que tem impacto estimado em mais de R$ 800 bilhões em 13 anos.

