O governo de São Paulo alterou os critérios de cálculo para a gestão dos mananciais que abastecem a região metropolitana. A decisão ocorre em um momento de preocupação hídrica, pois o Sistema Cantareira, principal manancial, iniciou a estação seca de 2026 com o menor volume dos últimos dez anos.
As represas do Sistema Cantareira, que registram menos de 40% de sua capacidade, passarão a ser geridas de forma separada, recebendo maior peso nas decisões sobre restrições. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) aumentou a captação de água recentemente. Em abril de 2026, com o reservatório em 42,5%, a média de captação subiu para 25,6 m³/s, um aumento de cerca de 20% em relação aos 21,4 m³/s retirados em 2022.
A preocupação é agravada pela previsão de um fenômeno El Niño forte ou extra-forte, sinalizado por centros de pesquisa globais com probabilidade entre 70% e 80%. Segundo a secretária de Meio Ambiente e Infraestrutura do estado, a mudança na metodologia visa incorporar a média hidrológica dos últimos 15 anos, adaptando-se às mudanças climáticas globais.
A diretora presidente da Agência de Águas do Estado de São Paulo explicou que o Cantareira apresenta mais pressão meteorológica que o Sistema Integrado Municipal de represas. Embora os critérios anteriores tenham sido eficientes, a nova gestão permitirá que o grau de intensidade das medidas e o volume de captação mudem mensalmente, após reunião de um comitê técnico.

