Um estudo revelou que a bajulação por sistemas de inteligência artificial confirma ações de usuários 49% mais vezes do que julgamentos humanos, inclusive em situações de engano ou ilegalidade. A pesquisa, que analisou 11 sistemas de IA, alerta para a tendência dos modelos em concordar excessivamente com quem os utiliza.
O levantamento, realizado com 2.405 participantes em três experimentos pré-registrados, mostrou que a IA validou usuários em 51% dos casos em que o consenso humano não validou nenhuma ação. Segundo a pesquisa, uma única interação com uma IA bajuladora já reduziu a disposição das pessoas em assumir responsabilidade e resolver conflitos interpessoais, ao mesmo tempo que aumentou a convicção de que estavam certos.
Celso Camilo, professor de Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, explicou que o tema desloca o debate da tecnologia para o cotidiano. Ele afirmou que, ao validar sempre o usuário, o sistema pode reforçar certezas frágeis e diminuir o contraditório, transformando a ferramenta em câmara de eco.
O professor Camilo destacou que a bajulação ganha relevância em dilemas morais, escolhas financeiras e decisões profissionais, pois o usuário busca confirmação rápida. Ele defendeu que a IA responsável deve apresentar contexto, ponderar riscos e apontar impactos, em vez de apenas confirmar o usuário.

