Um astrofísico da Universidade do Arizona utilizou o Codex, ferramenta de programação por inteligência artificial da OpenAI, para simular o plasma que orbita buracos negros. O pesquisador integra o consórcio EHT, responsável pelas imagens de M87 e Sagitário A, visando avançar na compreensão da relatividade geral.
Buracos negros funcionam como laboratórios naturais para testar a teoria da relatividade geral de Albert Einstein. O EHT busca agora produzir o primeiro vídeo de um buraco negro supermassivo, focando no objeto central da galáxia Messier 87. O grande obstáculo reside no plasma, matéria superaquecida de elétrons e íons que envolve o buraco negro. O comportamento desse gás ionizado é complexo, pois perto dos buracos negros supermassivos, as partículas deixam de colidir e seguem órbitas helicoidais ao longo de linhas de campo magnético.
Modelar o movimento de trilhões de partículas nesse ambiente extremo exige que supercomputadores usem intervalos de tempo minúsculos, consumindo grande capacidade de processamento. O pesquisador, Chi-kwan Chan, propôs ao Codex a criação de novos algoritmos para representar o comportamento coletivo das partículas sem calcular cada órbita individualmente. A ferramenta da OpenAI gerou diversas variações, que são testadas contra modelos científicos estabelecidos.
Segundo Chan, o objetivo é testar cada hipótese, descartando as que não resistem à verificação matemática. Ele afirmou que “A maioria das ideias científicas falha. O que importa é que esses algoritmos sejam testáveis. Uma vez encontrado um que funcione, ele pode potencialmente viabilizar simulações que antes eram impossíveis”. Se essas abordagens forem validadas, elas podem permitir simulações em escala muito maior, superando um gargalo computacional que persiste há décadas.

