O uso extensivo de inteligências artificiais no ambiente educacional levanta preocupações sobre o desenvolvimento de jovens. Em escolas particulares, as ferramentas de IA fornecem textos prontos, o que pode privar o estudante do exercício de reflexão necessário à escrita.
A inserção de ferramentas de IA no ensino gera uma produção textual que, segundo observações, se assemelha a um movimento fabril. Os adolescentes reproduzem uma linguagem artificial e mecânica, caracterizada pela repetição de estruturas como “isso decorre disso, disso e disso” e pela recorrência da expressão “não apenas/somente, mas também”.
O autor, estudante de graduação em Psicologia da UFG, explica que, mesmo quando os alunos adaptam o conteúdo gerado pela máquina, as modificações ocorrem sobre uma estrutura já completa e argumentada por outro agente. O estudante passa a atuar como editor de um texto pré-existente, e não como criador do pensamento.
A escrita, nesse contexto, transcende a mera produção de um texto; ela é uma forma de elaborar o pensamento e de se implicar simbolicamente em um assunto. Ao terceirizar sistematicamente esse processo, corre-se o risco de enfraquecer capacidades essenciais, como a reflexão crítica, a criatividade e a autonomia intelectual do adolescente.

