A América Latina completou sua transição demográfica em 40 a 50 anos, um ritmo muito mais acelerado que o observado na Europa, segundo análise de Izabel Marri, gerente de Projeções e Estimativas Populacionais do IBGE. A região reduziu a média de filhos por mulher de seis para cerca de dois ou dois e meio nesse período.
O fenômeno da transição da fecundidade não se limitou à América Latina, ocorrendo em diversos países com ritmos distintos. Izabel Marri explicou que a maior exposição das mulheres ao mercado de trabalho, a urbanização e o acesso a métodos contraceptivos são fatores centrais para essa queda. Ela afirmou que as decisões reprodutivas são influenciadas por questões comportamentais e culturais, mas também por fatores estruturais, como a estabilidade das uniões conjugais.
Outro aspecto relevante é o adiamento da maternidade. Os dados indicam que mulheres têm postergado o início da vida reprodutiva, priorizando estudos e inserção profissional. Em alguns casos, esse adiamento resulta no encerramento do período reprodutivo sem filhos. A gerente do IBGE esclareceu que, embora tenha focado no Brasil, a transição é um fenômeno global, com tendência de queda também na África.

