A inadimplência empresarial no Brasil atingiu 9 milhões de CNPJs negativados em abril, o maior nível da série histórica, segundo a Serasa Experian. Em 12 meses, o contingente de empresas em situação de dívida avançou 1,5 milhão, totalizando R$ 220,9 bilhões em débitos em atraso.
A análise da Serasa Experian aponta que o ambiente de crédito permanece restritivo para as companhias brasileiras. A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, disse que o dado sinaliza uma tendência de manutenção em patamar elevado, com potencial de quebrar novos recordes ao longo de 2026. Ela explicou que juros altos e a desaceleração econômica pressionam o faturamento e reduzem a capacidade de recomposição de caixa das empresas.
O setor de serviços concentrou a maior parte das empresas inadimplentes em abril, respondendo por 55,6% do total. Em relação aos débitos, o segmento de serviços foi responsável por 31,7% do montante negativado. As micro e pequenas empresas continuam sendo o grupo mais vulnerável, somando 8,5 milhões de CNPJs negativados, o maior número da série histórica.
Camila Abdelmalack comentou que as micro e pequenas empresas dependem mais de linhas de curto prazo e possuem menor capacidade de negociação. Ela afirmou que juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito dificultam a administração do fluxo de caixa, mantendo a inadimplência em patamar alto.

