Quase metade das empresas industriais brasileiras projeta aumentar o endividamento bancário nos próximos três meses. O levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quarta-feira (17/06/2026), aponta que 45% dos empresários esperam ampliar o passivo com bancos, em função do custo alto do crédito e da necessidade de financiamento diário.
A pesquisa, realizada entre 25 de maio e 8 de junho, ouviu 183 empresas de 26 setores industriais. Segundo a CNI, o cenário reflete os impactos da política monetária restritiva na atividade econômica. Analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virginia Colusso, declarou que a política monetária atual afeta as empresas pelo encarecimento do crédito e pelo aumento das despesas financeiras.
O estudo também indica que 51% das companhias esperam aumentar a antecipação de recebíveis nos próximos três meses. Além disso, 48% dos empresários projetam maior demanda por crédito para sustentar estoques de insumos e mercadorias. Em relação à rentabilidade, cerca de 64% das empresas preveem redução da margem líquida no mesmo período.
Como resposta à pressão financeira, 51% dos entrevistados afirmam que aumentarão os preços de venda, embora parte das empresas evite repassar integralmente os custos para manter a competitividade frente a produtos importados, explicou Colusso.

