A indústria brasileira prevê um aumento médio de 16,4% nos custos de transporte rodoviário de cargas devido à política de pisos mínimos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 94% das empresas contratantes sentem impacto negativo, enquanto transportadores reivindicam os reajustes.
A política de pisos mínimos, estabelecida após a greve de 2018, gera divergências entre o setor produtivo e os transportadores. A CNI informou, em levantamento com mais de 1.500 empresas, que 64% das companhias consideram o impacto dos custos logísticos como alto ou muito alto. O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, declarou que intervenções regulatórias limitam a livre negociação e impactam toda a cadeia produtiva.
A discussão se estende à metodologia de cálculo dos pisos mínimos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O levantamento da CNI indicou que oito em cada dez empresas consideram a metodologia desconectada da realidade operacional. Pequenas empresas, por exemplo, estimam um aumento médio de 19% nos custos de transporte, superando as grandes indústrias, que apontam 14%.
A preocupação se intensificou com a Medida Provisória 1.343/2026, que endurece sanções e fiscalização. Entre as empresas que conhecem a medida, 85% temem o aumento dos custos de transporte. Além disso, há debate no Congresso sobre um piso salarial de R$ 5 mil para motoristas em longas distâncias.

