Um ano após a Polícia Federal concluir as investigações sobre o caso da ‘Abin Paralela’, o inquérito enviado à Procuradoria-Geral da República não teve andamento. O relatório, apresentado em 15 de junho, indicou que membros do governo anterior utilizaram ferramentas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar autoridades e adversários políticos.
A investigação, que culminou no indiciamento de 36 pessoas, incluiu um ex-deputado federal e um vereador. A apuração teve início após a revelação, em março de 2023, do uso do sistema FirstMile, uma ferramenta que explorava brechas na rede de telefonia celular para rastrear alvos no país.
A estrutura, denominada “Abin Paralela”, teria sido montada pelo então diretor-geral do órgão e usada para produzir dossiês e disseminar notícias falsas em favor dos interesses políticos do então presidente. Entre os alvos do monitoramento irregular estavam o presidente do Supremo Tribunal Federal à época, e ministros do STF, além de ex-presidentes da Câmara.
A Procuradoria-Geral da República não se manifestou sobre o caso. A atual direção da Abin negou irregularidades e afirmou estar à disposição das autoridades, enquanto o ex-presidente não foi incluído na lista final de indiciados por já responder a processo da trama golpista.

