Uma inscrição em cuneiforme persa, localizada no painel central do Salão Assyrio do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, foi decifrada por dois pesquisadores da UFRJ e da UERJ. A tradução revelou uma saudação ao rei aquemênida Artaxerxes, soberano da antiga Pérsia, após 117 anos de silêncio.
A descoberta ocorreu durante uma visita ao Salão Assyrio, e a identificação do texto começou em janeiro de 2025. O professor Alex Mazzanti Júnior, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, percebeu que o grafismo se assemelhava ao persa antigo. Ele compartilhou imagens com Matheus Treuk, professor de arqueologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, especialista em Pérsia Aquemênida. A museóloga Raquel Villagrán Seoane, coordenadora do Centro de Documentação do Theatro Municipal, auxiliou o trabalho fornecendo imagens em alta resolução.
O texto decifrado diz: “Do Apadana de Artaxerxes, grande rei, rei dos reis, filho do rei Dario”. O Salão Assyrio foi inaugurado em 14 de julho de 1909 e sua decoração foi feita pela empresa francesa La Grande Tuilerie d’Ivry, conhecida como Grès Muller. Os pesquisadores afirmam que os motivos do salão dialogam com artefatos iranianos do Museu do Louvre.
Os especialistas apontam que a composição do salão mistura referências de Susa, Persépolis e Naqsh-i Rostam, criando uma leitura própria da Antiguidade Persa. O termo Apadana, presente na frase, designa um salão de recepções solenes dos antigos reis da Pérsia. A pesquisa também discute o fascínio orientalista do século XIX ligado à recepção da Antiguidade no Brasil.

