A instabilidade no Estreito de Ormuz, rota que transporta 1/5 do petróleo mundial, gera incertezas no mercado global de energia. O especialista Pedro Rodrigues, do CBIE, aponta que o constante vaivém de bloqueios e reaberturas mantém o setor em estado de alerta desde o final de fevereiro.
O Estreito de Ormuz enfrenta um cenário de incertezas desde o final de fevereiro, o que provocou a maior disrupção de energia desde a década de 1970. A crise fez o barril tipo Brent saltar de US$ 74 para US$ 126 no auge. Na mesma esteira, o petróleo de Dubai atingiu o recorde histórico de US$ 166, segundo o especialista.
Rodrigues avalia que o fator principal da crise não é apenas o choque inicial, mas a oscilação. Após um anúncio de cessar-fogo em abril, o preço caiu 11%, mas o estreito foi fechado no dia seguinte. Esse movimento de abertura e fechamento se repetiu pelo menos quatro vezes.
Mais recentemente, em junho, o governo iraniano anunciou um novo bloqueio, alegando violações, mesmo após um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã. Apesar do Brent ter recuado para US$ 78, Rodrigues alerta que a reabertura formal não garante normalidade prática. “As grandes armadoras ainda não retomaram as rotas. O seguro de guerra segue caro. Mais de 500 navios esperam para deixar o Golfo, e a limpeza das minas ainda levará semanas”, declarou.
Para o sócio do CBIE, o mercado precificou o melhor cenário possível. Resta o risco de uma nova ruptura em 60 dias. “Um decreto reabre o estreito numa canetada. A confiança de quem coloca um navio de 200 milhões de dólares na água, essa só o tempo reconstrói”, afirmou Pedro Rodrigues.

