Apesar da retomada de negociações entre Estados Unidos e Irã, a instabilidade no Oriente Médio continua a gerar riscos para a economia global, segundo a professora de Relações Internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker. A especialista avalia que o processo diplomático será marcado por avanços e retrocessos, mantendo a volatilidade nos mercados internacionais.
Holzhacker afirmou que a falta de previsibilidade afeta a confiança nas negociações e as estratégias de governos e empresas, especialmente nos setores de energia e comércio internacional. O principal desafio imediato, segundo ela, é encontrar uma solução para o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo.
A expectativa de normalização da passagem pelo estreito perdeu força com a recente escalada de tensões, aumentando incertezas sobre o abastecimento energético. A especialista destacou que é fundamental que os Estados Unidos e o Irã fechem um acordo, mesmo que transitório, sobre a questão do estreito, que impacta o fluxo de comércio no Golfo.
Na análise econômica, Holzhacker observou que, embora o aumento dos preços do petróleo tenha beneficiado alguns exportadores, o saldo geral do conflito foi negativo para a economia mundial, prejudicando o comércio internacional. O Irã saiu politicamente fortalecido, e o Brasil também viu oportunidades comerciais com a valorização das commodities energéticas.

