Investigadores do caso Master avaliam que a segunda proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro não contém fatos novos. O material foi considerado por parte da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República como um tom de defesa. Uma nova reunião entre o advogado do ex-banqueiro e os órgãos de investigação está marcada para esta semana.
A primeira proposta de delação, entregue em maio, já havia sido rejeitada pelas autoridades. Na época, a Polícia Federal anunciou o encerramento das negociações de colaboração. Contudo, no fim de maio, a corporação reabriu a possibilidade de acordo após indícios de que o ex-banqueiro poderia fornecer elementos inéditos.
Os investigadores percebem que os novos capítulos narrados pelo banqueiro são mais detalhados, com contexto, informações e datas, mas não apresentam elementos desconhecidos pelas autoridades. As apurações avançam com a análise de celulares apreendidos nas oito fases da Operação Compliance Zero, focando na ligação do ex-banqueiro com a classe política e a atuação de seus operadores financeiros no Brasil e no exterior.
O conteúdo do primeiro documento está sob sigilo de Justiça. Interlocutores disseram que Vorcaro buscou justificar pagamentos e o relacionamento próximo com políticos, sem admitir crimes, o que contraria o esperado em um acordo de colaboração. Ele também omitiu fatos já conhecidos pela PF, como uma suposta mesada paga a um senador e conversas com outros parlamentares e um ex-governador.


