Uma enxurrada de novas ações de empresas de inteligência artificial está gerando dúvidas em Wall Street sobre a absorção do volume de papéis. A abertura de capital de companhias como SpaceX, Anthropic e OpenAI pode adicionar quase US$ 4 trilhões em valor de mercado às bolsas americanas nos próximos meses.
A oferta de ações de empresas de tecnologia está em forte expansão, impulsionada pelo crescimento de receitas em investimentos de IA. O índice de semicondutores da Bolsa de Valores de Filadélfia, por exemplo, registra alta de 74%, caminhando para o melhor ano desde 2003. O Google, por meio da Alphabet, planeja captar US$ 85 bilhões no próximo trimestre com a venda de ações.
Especialistas apontam que o volume é monumental. Um analista da Allianz Trade declarou: “Não vemos algo nessa escala e nesse ritmo há muito tempo”. Embora o Nasdaq 100 tenha recuado 4,8% na sexta-feira, a imprensa internacional afirma que há capital suficiente para absorver as emissões. Um cofundador da DataTrek Research escreveu que “Há capital mais do que suficiente para absorver não só os IPOs deste ano, mas também as emissões primárias de empresas já listadas que precisam de caixa para construir infraestrutura de IA”.
Um fator que pode facilitar a digestão dos IPOs é que os emissores vendem uma fatia pequena das ações. A SpaceX, por exemplo, pretende oferecer apenas 4% de suas ações em circulação. Contudo, estrategistas do Goldman Sachs estimaram que, após um ano, o free float pode saltar para cerca de 46%, gerando aproximadamente US$ 1 trilhão em nova oferta até 2027.
A inclusão dessas empresas em índices como Nasdaq e FTSE Russell pode gerar demanda extrema por seus papéis, obrigando fundos de ETF a ajustar carteiras. No entanto, um especialista alertou que, quando os períodos de restrição de venda expirarem, a pressão vendedora pode desestabilizar um mercado já frágil.


