O Iraque ameaça abandonar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) caso não consiga ampliar sua cota de produção, buscando elevar receitas após prejuízos causados pelas tensões no Oriente Médio. O diretor fundador da VPricing Combustíveis, Bruno Valêncio, afirmou que a iniciativa serve como instrumento de pressão para obter maior autonomia na produção e comercialização do petróleo.
Segundo Valêncio, a situação financeira do Iraque foi agravada pelas dificuldades de produção e exportação durante o período de conflito entre Irã e Estados Unidos. O país busca maior autonomia para aproveitar a retomada do fluxo no Estreito de Ormuz. O movimento segue a lógica adotada pelos Emirados Árabes Unidos, mas o Iraque utiliza a possibilidade de saída para negociar benefícios econômicos e políticos.
O especialista declarou que a ameaça desgasta a credibilidade da Opep, mas ainda não indica uma decisão de saída. Ele também apontou que a descoberta de novas reservas fora do cartel, como no Brasil e no México, aumentará a concorrência global em dez a quinze anos, reduzindo a influência da organização nos preços internacionais.
Apesar da perspectiva de maior competição, Valêncio acredita que o Brasil possui vantagem estratégica. Ele explicou que a matéria-prima brasileira do pré-sal permite a produção de derivados com menor teor de enxofre e menor impacto ambiental, agregando valor mesmo em cenários de preços mais baixos.

