O Vão do Paranã, no nordeste de Goiás, transforma-se de área historicamente marcada pela pobreza em polo de fruticultura graças à irrigação. O projeto, que já beneficia 80 produtores, utiliza a característica geográfica da região para garantir produção contínua e renda anual aos agricultores.
A iniciativa, desenvolvida pela Embrapa e financiada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), recebeu R$ 23 milhões em investimentos. O modelo técnico permite que os produtores cultivem maracujá e manga em dois hectares por família. O maracujá, cultura de ciclo curto, começa a gerar retorno financeiro em cerca de seis meses, enquanto a manga, de longo prazo, pode ser produtiva por décadas.
A chegada da água, possibilitada pela perfuração de poços artesianos, superou a escassez hídrica que afetava a região. Pesquisadores da Embrapa explicam que o relevo local favorece o acúmulo de água subterrânea. Em algumas propriedades, a produtividade do maracujá alcança 30 toneladas por safra, o dobro da média nacional.
Os resultados financeiros já impactam a vida dos agricultores. Um produtor relatou faturar cerca de R$ 15 mil em dois meses com a venda de frutas. Além do ganho econômico, o projeto ajuda a conter o êxodo rural. Contudo, os agricultores enfrentam desafios na comercialização, dependendo de atravessadores, o que motivou a criação de uma cooperativa local.

