Uma juíza de 34 anos morreu em 6 de maio após sofrer hemorragia decorrente de complicações de coleta de óvulos para fertilização in vitro em Mogi das Cruzes. Duas médicas da UTI afirmaram à Polícia Civil que alertaram repetidamente o médico responsável sobre a gravidade do quadro e defenderam uma cirurgia de urgência.
As médicas relataram que o procedimento de coleta ocorreu na manhã de 4 de maio. A paciente deu entrada no Hospital e Maternidade Mogi Mater por volta das 17h. Segundo depoimentos, as profissionais de terapia intensiva comunicaram ao médico responsável resultados de exames que indicavam queda de hemoglobina e piora da função renal.
A segunda médica ouvida pela Polícia Civil afirmou que, ao longo do dia 5 de maio, alertou o médico sobre a necessidade urgente de cirurgia para conter a hemorragia. Contudo, o profissional teria insistido que o quadro era apenas de hiperestimulação ovariana. A cirurgia só foi realizada às 21h de 5 de maio, após outro médico confirmar a presença de sangue no abdômen da paciente.
A Polícia Civil investiga o médico por homicídio culposo. A defesa do profissional afirmou que ele prestou toda a assistência necessária e que a paciente recusou ambulância, optando por veículo particular. O hospital informou que a equipe intensivista possui autonomia técnica para conduzir os cuidados imediatos na UTI.

