A juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, da 1ª Vara Criminal da Capital, afastou o delegado responsável pela investigação do assassinato de um empresário baleado em abril. A decisão ocorreu devido à quebra de imparcialidade, pois o delegado criou linha de apuração contrária à conclusão do Ministério Público do Rio (MPRJ) e da Corregedoria da Polícia Militar.
O afastamento do delegado ocorreu porque ele abriu uma investigação paralela, buscando contestar o entendimento do Gaesp/MPRJ e da Corregedoria da PM, que apontavam que os disparos fatais vieram dos policiais militares. A magistrada considerou a conduta do delegado “incompreensível” e afirmou que sua avaliação sobre a autoria do tiro comprometia a imparcialidade do inquérito.
O delegado havia sido procurado por um perito que sugeriu, sem laudo, que o tiro atingiu a vítima não por policiais presos, mas por traficantes na rua. Com base nessa hipótese, ele marcou uma reprodução simulada sem comunicar o Ministério Público ou obter autorização judicial. A juíza, em sua decisão, cancelou o evento e ordenou a busca e apreensão do inquérito na Delegacia de Homicídios.
A Polícia Civil não participou da apuração que levou à prisão de dois policiais militares. O Gaesp do MPRJ ofereceu a denúncia por homicídio qualificado. A DHC entrou no caso posteriormente com o objetivo de apurar a origem da operação e quem ordenou o crime, mas o delegado optou por questionar a autoria dos disparos.

