A Justiça Federal no Paraná condenou seis executivos e operadores financeiros por corrupção e lavagem de dinheiro em uma ação remanescente da Operação Lava-Jato. A sentença, proferida pela 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, aponta um esquema de cartel e distribuição de propinas a ex-diretores da Petrobras entre 2004 e 2014.
Os condenados responderam por atos praticados no direcionamento de obras e serviços em três unidades da estatal: a Refinaria Henrique Lage (Revap), a Refinaria de Paulínia (Replan) e a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar). Um dos contratos na Revap foi firmado com valor 39,42% superior à estimativa original da Petrobras. Segundo a Procuradoria, um “esquema estruturado” funcionava com o cartel de grandes empresas que definia previamente qual consórcio venceria cada licitação.
O magistrado Guilherme Roman Borges acolheu denúncia do Ministério Público Federal, que detalhou como executivos pagavam propinas sistemáticas a gestores da Petrobras. As investigações mostraram que operadores financeiros especializados em lavagem de ativos eram usados para escoar o dinheiro ilícito, por meio de notas fiscais frias e repasses em espécie ou para o exterior. A Receita Federal confirmou a fraude e autuou a empresa envolvida em valor superior a R$ 107 milhões.
Três ex-executivos da empresa de engenharia receberam penas em regime inicial fechado, variando de 12 anos e 2 meses a 14 anos e 7 meses de reclusão. Os outros três réus, operadores financeiros, foram condenados exclusivamente por lavagem de dinheiro, recebendo 7 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão em regime semiaberto. Cabe recurso aos empresários condenados.


