A exigência de conteúdo local para o primeiro leilão de baterias do Brasil gera preocupação entre desenvolvedores e investidores. O certame, marcado para dezembro, enfrenta o desafio de definir critérios de nacionalização em um segmento onde a cadeia produtiva ainda não está consolidada no país.
A Portaria Normativa nº 136/2026, do MME, estabeleceu o leilão específico para sistemas com nacionalização. Contudo, os critérios efetivos dependem das regras de credenciamento do BNDES, com o mercado apontando um índice mínimo de 15% de conteúdo nacional, embora o percentual não esteja explícito na portaria. Agentes do setor questionam como impor tal exigência em uma indústria onde o núcleo tecnológico é majoritariamente importado, com células eletroquímicas produzidas no Sudeste Asiático.
Fontes do mercado afirmam que a nacionalização inicial ocorrerá por meio de componentes complementares, como sistemas de refrigeração, contêineres e softwares de gestão. Empresas ouvidas estimam que exigências mais robustas de conteúdo local podem elevar os investimentos em até 40% em comparação com soluções totalmente importadas. Os agentes defendem que incentivos tributários podem compensar a perda de competitividade.
O cronograma impõe um prazo apertado: com o certame em dezembro, fabricantes teriam pouco mais de um ano para instalar linhas de produção e obter certificações junto ao Sistema CFI do BNDES. Apesar disso, movimentos como o investimento de R$ 100 milhões da Windey em Camaçari (BA) e a expansão da atuação da Moura indicam esforços de adaptação do setor.

