O Ministério de Minas e Energia publicou as diretrizes para o primeiro leilão de reserva de capacidade focado em sistemas de armazenamento de energia em baterias no Brasil. O certame prevê duas datas, em 2 e 4 de dezembro, e é visto como peça-chave para integrar fontes renováveis ao sistema elétrico nacional.
A analista Joísa Dutra comentou que o armazenamento em baterias é essencial para a integração de fontes como solar e eólica, dado os desafios de operar a rede com a variabilidade da demanda e geração. Ela apontou que o primeiro leilão exigirá conteúdo nacional monitorado pelo BNDES, enquanto o segundo será aberto à competição geral. Dutra sugeriu que um leilão simultâneo, com margens de preferência para o conteúdo nacional, seria mais transparente, visto que a legislação permite tal possibilidade.
A analista alertou que a política de conteúdo nacional necessita de um avanço nas cadeias de suprimento, incluindo mineração e minerais críticos, para evitar o aumento de custos ao consumidor sem desenvolver a indústria local. Outro ponto de atenção é o modelo financeiro: os retornos da arbitragem de energia serão destinados a uma conta de potência para reserva de capacidade, e não ao investidor privado.
Para Dutra, essa estrutura pode diminuir o interesse do capital privado, pois neutraliza o risco de mercado que sustenta os retornos dos investidores. Ela concluiu que, embora o modelo possa incentivar a adoção inicial, o governo deve aperfeiçoar a estrutura antes da realização do leilão, pois as tecnologias de armazenamento têm apresentado redução de custo significativa nos últimos dez anos.

