A forma como cada nação nomeia o fim da vida profissional revela visões culturais distintas sobre a velhice. Enquanto o Brasil usa um termo ligado ao descanso, o japonês possui vocabulário que celebra a “segunda vida”.
No Brasil, a aposentadoria deriva do verbo latino pausare, que significa parar ou descansar. Em contraste, a língua inglesa utiliza “retirement”, termo que tem origem no francês antigo “retirer”, ligado a táticas militares de recuo. Essa ideia de afastamento se manifesta em diversos idiomas. O alemão “Ruhestand” significa “estado de descanso”, e o chinês “tuìxiū” combina caracteres de “recuar” e “descansar”.
O léxico japonês, contudo, apresenta maior diversidade, incluindo “nidome no jinsei” (segunda vida) e “inkyo” (idoso respeitado). Segundo a linguista Yoshiko Matsumoto, esses conceitos refletem uma visão positiva, focada em homenagear os indivíduos após a carreira. Em contrapartida, a palavra espanhola “la jubilación”, que vem do latim “jubilare” (gritar de alegria), é notável por carregar uma raiz de comemoração.
Pesquisas na Espanha reforçam essa perspectiva positiva. Um estudo de 2015, realizado pela Mapfre, mostrou que 66% dos aposentados espanhóis associavam “la jubilación” à liberdade. Uma pesquisa posterior, em 2025, feita pelo grupo holandês Nationale-Nederlanden, indicou que 66% dos entrevistados tinham perspectiva positiva sobre o futuro, apoiado por um sistema de previdência que paga em média 83% do salário anterior do trabalhador.

