Linguistas analisaram o hábito de Vini Jr. de não finalizar frases com entonação de ponto-final em entrevistas. O estudo concluiu que o comportamento é um fenômeno de atrito linguístico, resultado do uso constante do espanhol em sua vida em Madrid.
O atrito linguístico ocorre quando há uma mudança na língua materna de um indivíduo devido ao uso contínuo de outro idioma. Segundo Maristela Pinto, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), essa mudança em Vini Jr. se manifesta no nível prosódico, ou seja, no ritmo, na velocidade e na melodia da fala, com foco na entoação.
A entoação refere-se à melodia da fala, indicando se a pessoa está afirmando ou perguntando. Em português brasileiro, o fim de perguntas é descendente. Em contraste, no espanhol madrilenho, o fim das questões é ascendente. Adriana María Ramos Oliveira, professora do Instituto Cervantes de São Paulo, explicou que aplicar a dinâmica de ‘descer’ no final da questão em Madrid não seria compreendido por nativos.
A professora Maristela Pinto comentou que, ao terminar frases afirmativas em português com a entonação típica de perguntas de Madrid, a fala soa estranha e sugere uma sensação de não conclusão, o que gerou o apelido de ‘inimigo do ponto-final’ para o atleta.

