O lipedema, também conhecido como síndrome da gordura dolorosa, é uma enfermidade crônica que afeta entre 9% e 10% das mulheres adultas no Brasil, somando cerca de cinco milhões de casos. A condição, que causa depósitos de gordura desproporcionais e dor nos membros, é frequentemente confundida com obesidade e celulite.
A doença, descrita pela primeira vez na Clínica Mayo, nos Estados Unidos, em 1940, provoca inchaço e deformação bilateral nos membros, especialmente nas pernas. Especialistas apontam que a gordura do paciente com lipedema possui características distintas, gerando dor, sensibilidade ao toque e hematomas espontâneos. Em casos avançados, o quadro pode levar à limitação da mobilidade física e danos ao sistema linfático, explicou um cirurgião vascular do Hospital Israelita Albert Einstein.
Os especialistas ainda não definiram a causa exata, mas identificam influência genética em dois terços dos casos e hormônios femininos, como estrogênio e progesterona, como gatilhos. Por isso, 90% dos casos ocorrem em mulheres durante alterações hormonais, como gestação ou menopausa. Além do impacto físico, a condição pode gerar problemas emocionais, pois pacientes magras ou com perda de peso mantêm a dor e a deformação progressiva.
Atualmente, não existe um protocolo padrão para o diagnóstico do lipedema. Por isso, é fundamental a avaliação de um médico especialista, que deve analisar o histórico familiar e realizar exame físico para identificar nódulos e perda de elasticidade do tecido adiposo, distinguindo a doença da obesidade.

