O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima atualizou a lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil, classificando 180 representantes da fauna nacional. O número total de animais sob risco subiu de 774 para 790, afetando desde grandes araras até pequenos tamanduás.
A arara-azul-grande, por exemplo, retornou à lista de vulneráveis devido ao impacto de queimadas e eventos climáticos extremos no Pantanal. Segundo o biólogo Fernando Pacheco, do Comitê Brasileiro de Registro Ornitológico, a região sofreu com incêndios há dois anos, e em 2024, 15% do território pantaneiro foi arrasado pelas chamas. A espécie, que já havia sido retirada da lista em 2014, tem sua população concentrada no Pantanal e no Pará.
Outra espécie incluída é o tamanduaí (Cyclopes rufus), um pequeno mamífero encontrado na Amazônia e em áreas de manguezais do Nordeste. Rodrigo Gerhardt, da World Animal Protection, afirmou que o aumento reflete a fragilização contínua dos habitats, impulsionada pelo desmatamento ilegal e pelo avanço agropecuário. Ele declarou que eventos extremos causam destruição de refúgios naturais em ritmo superior à capacidade de adaptação das espécies.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) explicou que a revisão não indica apenas crescimento, mas também avanço científico. A classificação na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção torna o animal prioritário para ações de conservação. A revisão também resultou na retirada de 156 espécies da lista.

