Mais da metade dos jovens entre 9 e 17 anos utiliza ferramentas de inteligência artificial para obter informações sobre saúde e corpo, conforme relatório da Common Sense Media. O estudo mostra que 92% dos jovens de 16 a 17 anos interagem com a tecnologia, e 57% usaram a IA para buscar orientações sobre o próprio corpo.
O levantamento da Common Sense Media, organização sem fins lucrativos que avalia tecnologias infantis, revela que a IA integra a rotina de crianças e adolescentes. Segundo o estudo, 81% das crianças de 9 a 12 anos, 89% dos adolescentes de 13 a 15 anos e 92% dos jovens de 16 a 17 anos utilizam ou interagem com inteligência artificial. Michael Robb, diretor de pesquisa da Common Sense Media, afirmou que “a IA já faz parte da infância de muita gente”.
Os jovens recorrem à IA para aconselhamento sobre decisões futuras, simulação de situações sociais e discussão de problemas pessoais. Suzan Song, psiquiatra infantil, e Robb alertam para o uso da tecnologia em questões de saúde. Um relatório da OpenAI, de setembro de 2025, exemplifica dúvidas sobre beleza e autocuidado, como “Como arrumar minhas sobrancelhas?”
Os especialistas explicam que a praticidade e a forma de interação da IA motivam o uso. Robb comentou que muitas ferramentas respondem de modo a validar o que o usuário deseja ouvir, o que é atraente para quem evita constrangimento ao falar com pais ou outras pessoas. Contudo, há riscos, pois a IA transmite segurança mesmo quando a informação está incorreta.
Song complementa que a IA não substitui o vínculo humano. Ela declarou: “Nossa identidade é construída a partir dos atritos que temos com os pais, amigos e colegas”. Para mitigar riscos, Robb e Song sugerem que pais mantenham diálogo aberto, questionando como o jovem usa a IA e quem ele procuraria em situações reais.

