O comércio eletrônico brasileiro registra crescimento, e pequenas e médias marcas nacionais de nicho ganham destaque no varejo digital. Essas empresas crescem duas a três vezes mais rápido que a média do setor, aproveitando a mudança no comportamento do consumidor.
O faturamento do comércio eletrônico brasileiro atingiu R$ 235,5 bilhões em 2025, representando uma alta de 15,3% sobre o ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM). A projeção para 2026 é de R$ 259,8 bilhões, com a categoria de móveis e decoração avançando 17% no período.
O crescimento das marcas locais se deve à mudança no consumidor. Hoje, o brasileiro pesquisa extensivamente, comparando produtos e lendo avaliações com foto, o que transforma o boca a boca em prova social escalável. Essa fiscalização diminuiu a tolerância a produtos de baixa qualidade, forçando fabricantes a melhorarem a produção.
Antes do e-commerce, a entrada no varejo físico era inviável para pequenas marcas. O ambiente digital inverteu essa lógica, reduzindo o custo de entrada. Exemplos incluem a Softinox, em Maringá (PR), e a LUMAI, em Guarulhos (SP), que consolidaram vendas diretas ao consumidor via marketplaces.
Essa nova dinâmica contrasta com a prática da redução discreta, ou shrinkflation. Diante do aumento de custos, marcas tradicionais diminuem o conteúdo dos produtos sem alterar o preço de prateleira. Pesquisas do Ipea e da Abras indicam que consumidores que notaram essa mudança passaram a trocar de marca com mais frequência.

