Um médico e professor universitário afirmou que o reconhecimento e o aplauso superam o pagamento financeiro na prática da ortopedia no Brasil. Ele descreveu a profissão como artística, mas apontou que o mercado de saúde sofre com a saturação e a perda do foco humanista.
O especialista disse que ortopedistas são artistas que produzem arte no corpo humano, utilizando instrumentos como formão, martelo, pinças e placas. Os atos cirúrgicos permitem que pacientes voltem a atividades como andar, dançar e correr. O palco dessa prática é o corpo humano, descrito como a máquina mais perfeita do universo.
O professor comentou que a profissão, que antes era altamente recompensadora monetariamente, enfrenta dificuldades hoje. Ele citou que o mercado saturou devido à formação de cerca de 50 mil novos médicos anualmente, com quase 500 faculdades de medicina no país. Isso gera frustração entre profissionais e famílias.
A medicina, segundo ele, tornou-se fria, competitiva e capitalista. Ele relatou que é rotina médica cobrar antes do tratamento e realizar pagamentos informais. Um antigo professor de ética médica afirmava que o melhor pagamento não era o dinheiro, mas sim o sentimento de reconhecimento.
Carlos Roberto Schwartsmann concluiu que, para um grande médico, “mais vale o aplauso que o cachê!”.


