O mercado financeiro brasileiro entrou em fase de cautela, abandonando a expectativa de cortes na taxa Selic. A deterioração das projeções de inflação e a pressão do cenário internacional geram incerteza sobre a política monetária do Banco Central.
Comentarista Vinicius Torres Freire afirmou que o mercado está desorientado, pois as taxas futuras perderam referência e os investidores não conseguem prever os próximos passos do Banco Central. Segundo ele, a combinação de inflação persistente, mudanças nas expectativas de juros nos Estados Unidos e a crise do petróleo aumentam a aversão ao risco.
A análise dos indicadores mostra que a economia brasileira segue mais aquecida que o esperado, o que reduz o espaço para cortes na Selic. A curva de juros, por exemplo, indica que a taxa futura para janeiro de 2027 já supera 14,5%, sinalizando que o mercado precifica novas altas de juros.
Artur Horta, sócio da The Link Investimentos, atribuiu o movimento ao cenário externo, citando o conflito envolvendo o Irã, que mantém o petróleo em níveis elevados. Horta declarou que a probabilidade maior é a manutenção da taxa de juros em 14,5% na próxima reunião do Copom. Ele comentou que, se a inflação ultrapassar a meta, o Banco Central provavelmente terá que aumentar a taxa.

