O mercado ilegal de peptídeos injetáveis chegou a Goiás, gerando, em média, duas denúncias semanais em Goiânia. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) registra os casos de aplicação clandestina de substâncias que prometem resultados antienvelhecimento e aumento muscular, mas não possuem aprovação regulatória.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autoriza o uso injetável desses compostos, que entram no país por contrabando, sem registro no Brasil ou nos Estados Unidos. Peptídeos são fragmentos de proteínas, e embora o corpo os produza naturalmente, as versões sintéticas divulgadas em redes sociais, como GHK-Cu e BPC-157, não têm comprovação científica para uso injetável em humanos.
O caminho das substâncias é preocupante. Em abril deste ano, a Polícia Federal apreendeu 1 tonelada desses produtos no Aeroporto de Viracopos, em São Paulo, que vinham da China e de Hong Kong com falsa declaração de conteúdo. A conselheira do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO) explicou que empresas importam produtos registrados como cosméticos, mas orientam a injeção, o que é proibido.
Os riscos à saúde são altos. Especialistas alertam para risco de infecção bacteriana grave por falta de esterilização e presença de resíduos tóxicos em laboratórios clandestinos. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Goiás (SBD-GO) afirmou que não há comprovação de que os benefícios superem os riscos no uso injetável, pedindo cautela.

