Mulheres grávidas da Terra Indígena Munduruku, no Médio Tapajós, Pará, apresentam níveis de mercúrio 4,5 vezes acima do limite seguro estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Pesquisadores da ENSP/Fiocruz divulgaram os dados, que indicam que 97% das gestantes monitoradas possuem contaminação acima do recomendado.
O estudo longitudinal de gestantes e recém-nascidos indígenas expostos ao mercúrio na Amazônia revelou que a média de mercúrio entre as indígenas analisadas foi de 9,1 µg/g, comparado ao parâmetro máximo de 2 µg/g por grama de cabelo. Das 195 mulheres acompanhadas, um caso registrou 39,9 µg/g, quase vinte vezes o limite da OMS.
Os recém-nascidos também são monitorados e cerca de 90% deles nasceram com contaminação, transmitida pela placenta. A concentração média nos bebês é de 5,8 µg/g. O pesquisador Paulo Basta explicou que o mercúrio se transforma em neurotoxina, e uma lesão no sistema nervoso central é irreversível.
A líder indígena Munduruku relatou que a contaminação decorre do garimpo ilegal de ouro, que utiliza mercúrio para separar o minério, contaminando rios e peixes. A promotora do MPPA, Eliane Moreira, atribuiu a situação à fragilidade dos processos de licenciamento e fiscalização na região.


