Michelle Bolsonaro tornou pública a crise com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao utilizar a estrutura do PL Mulher para reforçar sua influência política. O movimento visa consolidar apoio e disputar espaço em decisões partidárias, especialmente em relação a candidaturas femininas ao Senado.
A ex-primeira-dama divulgou um vídeo de 27 minutos, gravado na sede do PL Mulher em Brasília, onde criticou o senador. O material, apresentado como desabafo familiar, detalhou sua gestão, citando a estruturação de diretórios em todas as 27 unidades da federação e a eleição de 1.005 mulheres em 2024, um crescimento de 45,8% em relação ao pleito anterior.
A estrutura do PL Mulher, que congrega cerca de 5.200 participantes, recebeu R$ 16,2 milhões da direção nacional do partido em 2024 para financiar atividades, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Michelle Bolsonaro defende a candidatura da deputada Priscila Costa (PL-CE) ao Senado, mas a articulação conduzida por Flávio e dirigentes do partido seguiu outra direção, envolvendo o deputado estadual Alcides Fernandes e o pré-candidato do PSDB ao governo, Ciro Gomes.
Aliados afirmam que Michelle alterou o equilíbrio interno do bolsonarismo ao criar um novo centro de influência. O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, pré-candidato ao Senado pelo PL na Paraíba, comentou que todas as principais lideranças do bolsonarismo gravitam em torno do ex-presidente.

