Milícias e facções criminosas exercem controle sobre a venda de produtos em comunidades do Rio de Janeiro, utilizando um sistema paralelo de tributação conhecido como “taxa de guerra”. O esquema força comerciantes a venderem mercadorias com preços inflacionados, financiando as atividades dos grupos.
O mecanismo de arrecadação criminoso funciona como um monopólio, determinando fornecedores e valores para itens como farinha de trigo, água e hortifrúti. Comerciantes relatam que são obrigados a adquirir produtos de distribuidoras específicas, muitas vezes a preços superiores aos praticados no mercado. Um morador afirmou que “o imposto que o governo nos cobra, quem está cobrando agora é a milícia, e ficando para ela.”
Especialistas indicam que os moradores dessas áreas são os maiores prejudicados, pois a imposição de taxas extras agrava a vulnerabilidade econômica. Além disso, o controle criminoso afeta a economia formal, pois empresas que abasteciam as regiões perdem o mercado de forma repentina. Um empresário comentou que, nesse ambiente, “você trabalha para eles, você vira o funcionário deles.”
A Polícia Civil realizou, na última quarta-feira, 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados às empresas investigadas. Durante as ações, agentes encontraram produtos fora da validade e identificaram condições precárias de armazenamento em um dos locais.

