O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, após o registro de 42 casos de reações adversas severas e duas mortes em um universo de 500 mil pessoas imunizadas desde janeiro. A interrupção da imunização não tem data de retorno prevista, enquanto especialistas avaliam a relação entre os eventos e o imunizante.
A vacina do Butantan possuía um histórico robusto em estudos clínicos, que acompanharam mais de 16 mil voluntários por cinco anos. Nesses testes, a eficácia geral contra dengue grave atingiu 80,5%, e não foram registrados efeitos adversos graves ou mortes ligados ao imunizante. A Anvisa aprovou o imunizante em novembro de 2025, e a campanha começou em janeiro de 2026.
O aumento dos casos graves foi detectado na aplicação em larga escala. De acordo com o levantamento do Ministério da Saúde, foram notificados 3,7 mil pessoas com sintomas leves, semelhantes à dengue, e 42 pessoas com reações consideradas sinal de alarme, incluindo as duas mortes. Especialistas explicam que eventos raros só se tornam visíveis em grandes volumes de aplicação, processo monitorado pela farmacovigilância.
O infectologista Leonardo Weissmann afirmou que a suspensão não é uma falha do sistema, mas sim o funcionamento dele. Ele declarou que “o que a ciência faz é garantir que o maior número possível de pessoas vai estar segura com a vacina e protegida.” A médica Isabela Balalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), comentou que a análise pode revelar novas restrições, como para pessoas imunodeprimidas, reforçando o caráter cuidadoso do processo regulatório.


