O Museu das Remoções (MdR) celebra dez anos em maio de 2026, marcando a resistência da Vila Autódromo em Jacarepaguá. Fundado em 2016, o museu utiliza materiais dos escombros da comunidade removida para preservar a memória do território.
O MdR foi fundado em 18 de maio de 2016, durante o período das remoções da Vila Autódromo, no contexto das Olimpíadas do Rio de Janeiro. A iniciativa, apoiada por museólogos e ativistas, teve como marco inicial a exposição de sete esculturas construídas com os escombros da comunidade. Segundo Luiz Claudio da Silva, liderança da Vila Autódromo e co-fundador do MdR, o museu é “um museu de território, onde se compreende que tudo que resistiu e está no território faz parte do acervo”.
Em 2023, o MdR recebeu certificação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) como Ponto de Memória. Em 2026, a celebração dos dez anos foi marcada por um clima de festa e paz. Além disso, placas nas ruas vizinhas passaram a indicar a localização da Vila Autódromo, um sinal de vitória contra o apagamento territorial.
O professor Mário Chagas, entusiasta da museologia popular, comparou o MdR ao Museu do Amanhã. Chagas afirmou que o MdR representa o futuro, pois seu sentido é permanecer e deixar marcas históricas, diferentemente de locais passageiros. A celebração reforçou que batalhas também são vencidas com manifestações culturais, como blocos de carnaval e rap.


