Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, desenvolveram uma plataforma de nanotecnologia para tratar doenças de pele como psoríase e vitiligo. A tecnologia emprega nanopartículas que transportam RNA terapêutico às células da pele, visando silenciar genes ligados à inflamação crônica.
A pesquisa, que integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Nanotecnologia Farmacêutica, recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Maria Vitória Bentley, coordenadora do laboratório NanoGeneSkin, afirmou que o trabalho, iniciado há vinte anos, visa tratar doenças cutâneas crônicas, como psoríase, câncer de pele e vitiligo.
A psoríase afeta cerca de cento e noventa milhões de pessoas globalmente, sendo aproximadamente cinco milhões no Brasil. A estratégia desenvolvida pelo grupo utiliza moléculas de RNA de interferência (siRNA) para bloquear a produção de proteínas inflamatórias. Para superar a instabilidade do RNA e a barreira natural da pele, os cientistas criaram nanopartículas de cristais líquidos, que encapsulam e protegem o material genético.
Além do tratamento de doenças de pele, a plataforma é estudada para feridas crônicas e possui potencial em oncologia. O grupo também desenvolve estruturas para entrega de RNA mensageiro (mRNA), tecnologia aplicável futuramente ao desenvolvimento de vacinas experimentais contra o câncer, conforme comentou Bentley.


