Dois filhotes de boto-cinza emergiram na Baía de Guanabara, trazendo sinais de vida para a espécie residente. Os animais surgiram em um cenário de névoa, e sua chegada renova a esperança de cientistas que monitoram a fauna marinha local.
Os botos-cinzentos (Sotalia guianensis) são cetáceos que permanecem na baía onde nascem. Contudo, estudos do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua) da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) mostram que a população da baía estagnou em 30 animais nos últimos dez anos. O pesquisador Rafael Carvalho afirmou que cada filhote é precioso, pois o nascimento não tem compensado as mortes de adultos por doenças ou acidentes.
A espécie sofreu um declínio severo. Na década de 1980, havia cerca de 400 botos; em 1992, o número caiu para menos de 100, e em 2014, registrou 40 indivíduos. Ricardo Gomes, presidente do Instituto Mar Urbano (IMU), comentou que a diversidade marinha da baía é magnífica, mas a persistência dos botos é um sinal de que a vida resiste.
Os cientistas apontam que a poluição e o ruído constante dos motores de embarcações prejudicam os botos, que navegam por sons. Carvalho e Gomes destacam que a proteção contra captura acidental por pesca e a redução da poluição sonora são cruciais para a sobrevivência da espécie. Os filhotes, que possuem características neonatais, são observados em áreas mais tranquilas da baía.


