A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou mais de 1.300 mortes em excesso na Europa desde 21 de junho, associadas a uma onda de calor sem precedentes. O calor extremo, que atingiu recordes na Alemanha, Polônia e República Tcheca, é atribuído por especialistas às mudanças climáticas.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que o estresse térmico, chamado de “assassino silencioso”, afeta o continente, cujas infraestruturas não foram projetadas para tais temperaturas. O Ministério da Saúde da França informou, no domingo (28/6), que houve cerca de mil mortes a mais que o esperado no país desde quarta-feira, com maior incidência em pessoas com 65 anos ou mais.
A Europa apresenta um ritmo de aquecimento duas vezes superior à média global, alertou Tedros. Na Alemanha, por exemplo, foi registrado 41,7°C em uma estação perto da Polônia. A República Tcheca também bateu seu recorde, atingindo 41,1°C, enquanto a Polônia registrou 40,5°C. Cientistas explicam que a causa imediata é uma massa de ar de alta pressão estática, ou cúpula de calor, que aprisiona o calor.
Embora o fenômeno El Niño eleve as temperaturas globais, a relação direta com esta onda de calor específica não é forte. A jornalista de clima comentou que ventos do norte da África elevam ainda mais o calor. Tedros atribuiu a frequência crescente desses eventos às mudanças climáticas, afirmando que o que ocorria “uma vez por geração” agora acontece praticamente todos os anos.

